A cultura Data Driven nas Equipes de TI

A cultura Data Driven nas Equipes de TI

Se dizem empresas “Data Driven” aquelas que tomam suas decisões e são orientadas a partir da análise e tratamento de dados. 

Dessa forma, o planejamento estratégico se mostra mais eficiente e o crescimento da instituição pode ser acompanhado, mensurado e analisado de forma clara.

E se antes esse termo era mais restrito às equipes de tecnologia, isso está mudando: o impacto dos dados chegou a todos os setores, desde as equipes de RH que recrutam novos talentos até os CEOs. 

O que é Data Driven? 

Durante muito tempo, as empresas basearam suas decisões em intuições e experiências anteriores no mercado. No entanto, isso nem sempre gerava a precisão e a clareza necessárias para garantir a evolução dos processos.

Pensando nisso, a cultura Data Driven reúne dados coletados de diversas fontes, trazendo muitos benefícios para as equipes.

É sempre importante lembrar que, por se tratar de uma cultura organizacional, o Data Driven não se aplica da noite para o dia. É preciso muito estudo e estratégia para engajar lideranças e equipes na orientação por dados. 

Clive Humby, um famoso cientista de dados, disse a frase “dados são o novo petróleo”. De acordo com ele, esta é a matéria-prima da inovação, e abrir mão deles é sair da competição do mercado.

A evolução das empresas com Data Driven

O cientista de dados Christopher S. Penn organizou cinco estágios pelos quais as empresas passam antes de, efetivamente, se tornarem instituições Data Driven. Como já comentado, nem sempre é um movimento rápido - essa transição em algumas empresas pode levar anos.

1 - Resistência

Empresas com lideranças mais conservadoras tendem a ser mais resistentes a mudanças. O mesmo acontece com os dados: o “de sempre” vence e o conhecimento sobre as novas tecnologias é adiado.

Com o tempo e o entendimento da importância da área, fica o sentimento de “por que não começamos antes?”. 

2 - Curiosidade

Como o mercado está em constante movimento e transformação, em algum momento surge a curiosidade sobre os dados mesmo nas empresas mais conservadoras. 

O potencial começa a ser explorado e a primeira pergunta que se faz é “o que existem nos dados e o que podemos extrair deles?”.

3 - Consciência

Neste estágio, a empresa começa a fazer seus primeiros trabalhos com dados. Ela se concentra mais na análise e na testagem de ferramentas e fornecedores.

4 - Conhecimento

Aqui, os dados já são vistos como valor estratégico e a empresa perde o medo de investir cada vez mais nesse tratamento.

Através de perguntas direcionadas aos diversos setores da empresa e relacionadas com os dados coletados, aparecem os insights, que vão direcionar as ações que serão tomadas pela equipe. 

Isso é considerado um gatilho para que essa empresa se torne uma Data Driven.

5 - Orientação

Este é o último estágio, onde as ações já estão sendo tomadas e as próximas já estão sendo indicadas. 

O uso de dados já está sendo feito em todos os níveis e em todos os setores da empresa como estratégia

Benefícios da cultura Data Driven

A coleta e o tratamento de dados são parte de uma ciência, que será aplicada com o intuito de suprir as dores e demandas do público-alvo da empresa.

Por isso é tão importante olhar para os dados: são eles quem ditam o comportamento dos usuários, suas preferências, tendências e movimentações. Além disso, os benefícios da aplicação do Data Driven são muitos:

Produtividade

Uma equipe orientada por dados sabe de onde vem e para onde vai. Com as metas e objetivos claros e o uso das ferramentas certas, a eficiência, a produtividade e a redução de custos são consequência. Os erros também são menos frequentes e, quando acontecem, são resolvidos com mais facilidade.

Segmentação

Com o uso dos dados, a empresa encontra uma maior facilidade para segmentar seu público. A partir disso, pode organizar diferentes estratégias para atingir cada grupo e ter mais chances de conversão. 

A segmentação também orienta a criação de conteúdos relevantes e que realmente chamam a atenção para serem consumidos, criação de novos produtos para atender às demandas do mercado e a otimização da experiência do usuário em produtos online.

Objetividade

Este modelo de gestão ajuda as lideranças a definir as prioridades e também o que não gera valor para o negócio. Com isso, as energias se voltam para o que realmente é importante.

Isso implica em menos desperdício de recursos e maior efetividade nos resultados.

Resultados mais rápidos

A análise de dados permite que a empresa antecipe as tendências do mercado de acordo com o que já aconteceu e com o que está acontecendo. 

Assim, as decisões são tomadas com mais rapidez e a empresa sai na frente de suas concorrentes.

Atuação do marketing

O marketing é diretamente afetado pelo Data Driven. Com essas estratégias, essa equipe se integra naturalmente com os times de vendas. Juntos, é possível mensurar como a marca está sendo recebida pelo público, o que deve continuar sendo feito e o que precisa ser mudado para melhorar ainda mais os resultados. 

Como se estrutura o Data Driven na empresa?

Nesta cultura, os dados não são vistos de forma isolada ou individual. Eles são integrados nos processos e operações, geralmente em um sistema centralizado (como a nuvem) para que todos tenham acesso.

Os resultados são alcançados a partir da inteligência coletiva e da união entre pessoas, dados e tecnologia.

Pessoas

Todos os profissionais da empresa devem estar alinhados à nova cultura, mas é fundamental que existam cargos de especialistas em dados, pessoas que realmente estudaram a área e podem orientar o time aos melhores resultados.

Os cargos mais comuns são Chief Data Officer (CDO) e cientista de dados.

O Data Driven permite ainda mais autonomia para os colaboradores, ajudando-os a tomar decisões e trazer soluções importantes.

Dados

Dados isolados não trazem resultados. É preciso que eles estejam organizados, acessíveis e integrados.

Charliton Albert polemizou a frase de Clive Humby. De acordo com ele, dados não são o novo petróleo. O novo petróleo é a sabedoria através dos dados.

Tecnologia

Existem diversas ferramentas de dados que variam de acordo com a necessidade de cada empresa e organização de trabalho.

Contar com as ferramentas certas torna os processos mais eficientes e os impactos positivos mais rápidos para todas as áreas envolvidas. 

Além disso, uma pesquisa do Finances Online indicou que, para 60% dos executivos, a transformação digital é o fator mais essencial para crescer uma empresa em 2022. 

Fluxo de tomada de decisão

Empresas orientadas por dados seguem um fluxo de tomada de decisão que começa na identificação do problema do cliente ou usuário e termina nas ações e aprendizados adquiridos durante o processo.

Assim como compartilhou a redatora Beatriz Menezes no blog MindMiners, o fluxo é o seguinte:

1. Identificação do problema

2. Coleta de dados

3. Definição dos objetivos e KPIs

4. Definição da estratégia e plano de ação

5. Acompanhamento e otimização das ações

6. Definição dos aprendizados

Este processo é cíclico e cada métrica conquistada será utilizada nas próximas estratégias.

Analytics Driven: onde entra?

Outro termo comum em empresas que adoram a cultura Data Driven é o Analytics Driven

Enquanto o primeiro é um conceito quantitativo, o segundo é um conceito qualitativo, que busca padrões e relações entre os dados

Pensando na operação lógica, a Analytics Driven é uma evolução do Data Driven, já que exige uma base de dados mais sólida e complexa e o envolvimento total da gestão.

Data Driven e as equipes de tecnologia

Para garantir uma boa atuação da cultura de dados, é indispensável contar com uma infraestrutura de TI na empresa. Essa equipe poderá coletar, estruturar e recuperar dados por meio de ferramentas de mineração com inteligência artificial ou machine learning

O investimento em bons servidores e banco de dados de alta performance não podem ser deixados de lado, assim como a implementação de uma governança de TI voltada para Big Data. 

O time deve contar com bons firewalls, controle de acessos, computação em nuvem e o desenvolvimento de uma cultura completa de segurança de dados

E não menos importante: a liderança é responsável por montar uma equipe qualificada e com profissionais especializados nas áreas mais importantes da análise de dados. 

Atenção aos indicadores de performance

Os KPIs (indicadores-chave de performance) são dados que ajudam a nortear as decisões da empresa, uma vez que indica o que está e o que não está dando certo nas operações.

Esses indicadores devem estar de acordo com as metas individuais e coletivas do time, para que os profissionais não se desviem de seus objetivos principais.

Data Driven e a LGPD

A LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) garante que os dados usados pela empresa serão consultados apenas por pessoas autorizadas e que os usuários que forneceram os dados serão tratados com transparência e ética.

Para garantir que a lei funcione, a função de Data Protection Officer (DPO) é exigida para servir como ponte entre a empresa e a ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados). 

A pessoa responsável pelo cargo deve monitorar os processos e garantir que eles estejam seguindo as diretrizes da Lei e as boas práticas de proteção de dados. A formação jurídica não é necessária, mas o profissional deve ter o domínio da LGPD.

Sistema ERP

O sistema ERP (Enterprise Resource Planning, ou Planejamento dos Recursos da Empresa) é uma base muito importante para empresas Data Driven. 

Por meio do software, é possível integrar todas as áreas da empresa para fazer a análise e a governança das informações coletadas, além de dar aos colaboradores um panorama de como vão as estratégias de negócio.

As equipes responsáveis por BI e Inteligência Artificial conseguem, a partir disso, gerar relatórios inteligentes e analisar dados em tempo real, para que eles sejam integrados nas decisões o mais rápido possível, tornando as estratégias mais eficientes e seguras.

Cuidado na coleta de dados

A coleta de dados é uma fase crucial para as empresas Data Driven. Por esse motivo, deve ser feita em fontes confiáveis e que tenham seu contexto esclarecido. 

Além disso, muito se fala da humanização do consumidor. É muito importante reunir informações para estabelecer padrões de comportamento, mas também é fundamental entender as emoções e motivações que geram esses movimentos de mercado.

Esse olhar sensível também é uma uma forma que faz com que a empresa se destaque em seu nicho. 

Principais desafios da cultura Data Driven

A mudança na cultura organizacional de uma empresa é sempre repleta de desafios. Com o Data Driven não é diferente, e existem alguns obstáculos enfrentados pelas equipes.

Investimento em transformação digital

A aquisição de softwares e hardwares, a contratação de fornecedores especializados, entre outros investimentos, fazem parte da movimentação da transformação digital. 

Por isso, as organizações devem manejar suas ferramentas e recursos a fim de alcançar os melhores resultados. Mas isso nem sempre é simples (ou barato).

Falta de mão de obra especializada

Para gerar e manter a cultura Data Driven, é preciso contratar cientistas de dados, analistas especializados e outros profissionais voltados a essa área. 

Enquanto muitas empresas encaram o departamento de tecnologia apenas como suporte, a nova cultura não terá a estabilidade esperada. 

Integração entre TI e outras áreas 

Ainda sobre a equipe de tecnologia, preciso que ela esteja integrada com todos os departamentos, especialmente as áreas de vendas e marketing. 

Juntos, esses profissionais podem se aliar em decisões estratégicas e encontrar respostas para perguntas bem formuladas. 

Comunicação interna

A comunicação é um alicerce importante dentro da empresa. Para encontrar os melhores resultados, é preciso que as equipes estejam alinhadas e mantenham canais claros de comunicação, para que haja colaboração e engajamento em todas as etapas dos projetos e análises.

O que a empresa está esperando?

Equipes e empresas que se recusam a evoluir com o Data Driven estão cada vez mais fadadas a ficarem para trás, serem menos competitivas e menos confiáveis para seus clientes. 

E as equipes de TI, que estão diretamente relacionadas à área de dados, podem se mostrar protagonistas neste processo de mudança de cultura, além de proporcionar uma nova experiência de sucesso para quem embarcar nas estratégias de crescimento.